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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Toute Seule à Paris

Subi o elevador da Torre Eiffel
No último andar até eu fui
O dia quente, o sol no meu chapéu.
Das cidades a mais romântica
De floridos parques se constitui.

Lá do alto vejo toda a Paris
Lá do alto vejo casais d’amor
En profitant de l’air de romance
O qual não consigo eu respirar,
Por isso eu sinto enorme dor.

Estou só em Paris, sem meu copin
Sans personne pra me n’ouvido falar:
Voyez comme tout est très encantador,
É alta a torre e fresca a manhã.”
Personne pour partager une omelette.
Personne pour sussurer: “Que belle vous êtes.”
Personne pour répondre: “Mais vous beucoup plus!”


Me correu o choro as faces todas.

Então vem-me a cabeça uma idéia:
Porque não, de Paris, lhe telefono?
Meu amigo, cruzando mar, deixei
A comemorar do irmão as bodas
‘Ind’essas horas em profundo sono.
Amour, là, loin,comment allez vous?"
Responde ele com a voz matinal
Da noite ontem 'ind'alcoolizado
Algo ébrio que je n’ai pas compris.

Quelle chance!
Je cherche du romance.
Je trouve pas plus qu’un ivre.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Um Segredo Não Guardado

Começava a trabalhar naquele dia de semana a nova secretária do subgerente de um escritório qualquer. Chamava-se Lúcia, tinha uns vinte anos. Uma morena linda, gostosa e tudo de bom, e de muito respeito, viu?

Todos os homens do escritório viviam a admirá-la. Ela não estava tão a fim de ninguém, mas estava aberta a quem quizesse tentar conquistá-la.

Lúcia tinha um grande segredo, que ela acreditava não ser segredo pra ninguém. As mulheres, com suas línguas ofídicas, viviam fofocando desse segredo. Se elas não morressem de inveja da beleza de Lúcia, não o comentariam. Para os homens, que viviam distraídos por seu rebolar, esse segredo era absolutamente imperceptível.

– Duvido você chamar a Lucinha pra sair! – Luís desafiou Mauro. Lucinha, como era conhecida na empresa, já estava com fama de difícil.

Mauro a chamou, Lucinha aceitou, e assim começou um intenso namoro.

Com o tempo os homens começaram a descobrir o segredo de Lúcia, que ela achava que não era segredo pra ninguém, mas achavam perfeitamente normal. Concordavam que Lucinha podia fazer tudo que quizesse apesar daqueles simples fato que Mauro, cego pelo amor, ainda não havia descoberto.

Alguns anos se passaram, poucos, acho que uns dois, mas Lúcia não era mulher de se enrolar. Melhor casar logo, senão alguém mais rico ou mais bonito rouba. Foi isso que Mauro logo decidiu. Aproveitou um almoço de páscoa para pedi-la em casamento.

– Quero fazer um pedido à mulher mais importante da minha vida – sacou do bolso o anel – Lúcia, você quer casar comigo?

Proposta aceita, Mauro foi colocar o anel no dedo anular da mão esquerda de Lúcia. Mas que dedo? Que mão? Que braço?

Só naquele dia que Mauro descobriu o segredo de Lúcia e o que ela era, digamos, especial. O amor é mesmo cego.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Alguém que te Veja por Dentro

O polímero espessava meu já gelado sangue, eliminando qualquer chance do meu coração bater novamente. Um estudante de medicina fazia com seu bisturi um corte seco e morrido no meu abdómen.

Estou morto, lembrei naquele momento.

Cometi muitos erros na minha vida para acabar passando por isso. Eu era jovem, rico e belo, mas as minhas vantagens me subiram à cabeça e me tombaram à cova.

Minha família tinha uma lucrativa fazenda no Mato Grosso. A cada ano, a safra batia um novo récorde. Quando eu vim para cá estudar na faculdade, me senti livre demais. Nada estudei, muito bebi, muito transei.

Assim, o maligno vírus me adentrou por baixo, me arrancando as forças e a dignidade. De volta ao Mato Grosso, meu pai não quiz aceitar um aidético sob seu teto. Voltei, mendiguei e definhei até o momento presente.

Uma aluna puxou com cuidado meu intestino grosso e colocou um pedaço num pote com formol. Seus olhos esticados estavam distraídos enquanto suas mãos trabalhavam com vida própria. Eles focavam no cara do outro lado da mesa de mármore. Ele rompia meu ureter para separar meu rim direito do resto.

A garota admirava cada movimento que os olhos dele mexiam, cada preciso corte que suas mãos faziam, e ficava hipnotizada sem nem se dar conta.

Serraram minha caixa torácica, onde se abrigavam meus pulmões afogados e meu coração adormecido.

A menina, desastrada, desastrada demais para ser médica, distraída com o rapaz, deixou meu coração escorregadio cair debaixo da mesa. Ao abaixar-se, ela viu do outro lado o rapaz, que já o havia pego:

– O seu coração. – Ele gaguejou, quando botou reparo pela primeira vez naquela senhorita com mão de mantega. Ele olhou no fundo de seus olhos finos e castanhos, como se pudesse ler todos os pensamentos que estavam em sua cabeça. Deu-lhe o meu coração, mas o dela ele não devolveu.

– Obrigada. – Ela sentiu que ele era o alguém que a via por dentro (fechada e viva, lógico; não como eu), que ele sentia exatamente o que ela sentia e que ele estava disposto a passar o resto da vida com ela. Tudo naquele minúsculo tête-à-tête embaixo do meu corpo.

– Você não quer sair comigo sexta à noite?

Ela aceitou, e continuaram a conversa e a dissecação, sabendo agora que o coração de um agora era do outro.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Coming Soon

Não tivemos tempo de ver a hora que escureceu. Decidíramos, um tanto em cima da hora, de ir ao cinema. Não me lembro direito com quem eu estava, acho que ela era minha namorada na época, mas não durou muito, eu creio.

O que era impossível de esquecer é que ela acabara de vir do cabelereiro. Passara a manhã inteira entretida numa escova progressiva. O motivo pelo qual era impossível de esquecer, como eu tinha dito, é que em cada fio escorregadio de seu cabelo estava impregnado com o odor cadavérico do formol.

Fomos tateando uma poltrona para nos sentarmos. Não demorou muito, havia pouca gente na sala, pois era a sessão do meio-dia. O filme era um desses nacionais de favela, desses que ninguém gosta, quanto menos num sábado na hora do almoço.

Na sala havia menos de uma dúzia de gente. Não conseguia distinguir os tipos que havia ao longe, mas, logo à nossa frente, sentava-se um grupo de adolescentes, meninas, pelos cabelos compridos que eu via, mas não discernia direito as cores e os tamanhos.

Coming Soon”, apareceu em preto no fundo branco da tela. Era apenas um trailer que acabava, porém o clarão da imagem possibilitou que chegassem a meus olhos os raios de luz mais primorosos que já tocaram minha retina.

A instantânea e fugaz claridade me fez notar a linda coroa dourada que estava em minha frente. A cabeleira era a única parte de garota que eu via.

Era cabelos loiros e brilhantes como a areia escaldante no pôr-do-sol de um dia praiano. Tinham leves ondas que a brisa sopra, aumentando nas pontas: um modo de fazer um gran finale. Os cabelos eram os mais maravilhosos do universo.

Minha curiosidade me tentava em ver a face da dona daqueles cabelos tão fascinantes, mas eu sabia que, infelizmente, aquela minha namorada estava lá. “Coming Soon”, disse o trailer, “são menos de duas horas para o filme terminar e você ver a rainha da coroa dourada”.

Eu esperava me distrair daquele filme chato assistindo os balanços do cabelo no ar-condicionado, mas minha namorada planejara “coisas amorosas” para fazermos durante o filme. Por isso que ela escolheu um filme tão desinteressante num horário tão ingrato.

Fizemo-nas, mas não encontrei a adrenalina que pensei que houvesse, ainda mais com o fedor cadavérico de seu cabelo.

Quando as luzes enfim se acenderam, a surpresa foi odiosa. A rainha da coroa dourada não passava de um muleque com cara de lua: cheio de crateras. Senti me êxtase se esvair rápida e dolorosamente, não era aquilo que eu imaginava.

Percebi, naquele dia, que não era minha petite amie quem eu amava, que por mais que ela tentasse me agradar, o meu coração não era dela, não pertencia a ninguém, podendo ser roubado por qualquer coisa nova que passasse no meu caminho.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Conto Chocante

Começava uma tarde que prometia... muita chatice. Eu voltava da escola. Depois que eu almoçasse, não haveria nada para fazer. Dormir, acordar e dormir de novo, nada mais para fazer.

Eu passava numa rua calma, não deserta, só sem muito movimento. Era no centro da cidade, mas só havia residências, no máximo, consultórios. Todos os muros, pelo menos, com lanças, quando não com cacos de vidro, arames enfarpados e cercas elétricas, mesmo os das casas mais humildes.

(Viva a ditadura!)

Eu estava passando na frente de uma normalzinha, nem bonita nem feia, nem rica nem pobre, nem sei quem lá morava. O importante é que tinha cerca elétrica. O muro não era do tipo ”baixo”, contudo, percebia-se que meus braços não precisavam se esticar ao máximo para que meus dedos a tocassem.

Daí, pensei comigo: Eu posso passar a vida inteira sem nunca botar a mão numa cerca elétrica! Elas não matam, matam? Será que dói muito?(Lógico, dãr!) Será que eu desmaio?(Melhor que não.) Será que eu morro?

Meus muitos pensamentos sãos me diziam para não fazê-lo. Mas os insanos berravam: ”Faça que nada te acontece!”, e muito mais alto.

Me decidi. Levantei meu ombro num ângulo obtuso. Meu dedo indicador tocou suave e finalmente o fio estralante.

Senti os severos elétrons voarem do fio ao chão usando de ponte o meu corpo. Severos porque puniram dolorosamente o erro que eu cometi. Vieram queimando cada célula do meu corpo com seu fogo invisível e trêmulo. Trêmulo porque roubavam as forças dos meus músculos gradativamente, que cada vez ficavam mais trêmulos, até minhas forças se esgotarem e meu corpo cair no chão.

Desmaiei.

Consegui ouvir uma menina falando no celular. Escutei o nome da rua onde eu estava, nada mais eu entendi da conversa, só o ar preocupado com que falava. O porquê desse ar me era um mistério.

Assim que me desative da audição, senti uns socos no meu estômago, mas não me concentrei na dor, e um beijo quente e doce na minha boca.

Era um beijo tão quente que ardia, mas não tanto, pois o choque já me anestesiara. Doce porque eu sentia o desespero e a preocupação por mim, que eu não entendia, de quem me beijava.

Ouvi uma sirene cada vez mais alto vindo de longe. Quando acordei, dentro da ambulância, me vi todo queimado e com o cabelo arrepiado. No hospital, fiz um monte de exames, que só ocuparam de um jeito ainda mais tedioso a tarde que já seria. Mas não completamente.

Conheci lá as duas meninas que me salvaram. Uma era loira. Com dois olhos feito água marinha, pele branca como uma nuvem no verão, que parecia ser tão sedosa quanto. Era apaixonante, justamente pois já sabia da gostosura de seu beijo, e seu corpo ondulado, por baixo da calça jeans e do uniforme do curso técnico de enfermagem, parecia mais delicioso ainda.

Me poupo de descrever a outra. Lhe seria humilhante.

Elas me contaram que me viram desmaiar, a loira fez o boca-a-boca e a massagem cardíaca enquanto a outra chamou o resgate.

– Que bom que a gente tava lá pra te socorrer. – Disse a linda loira, dando um beijinho na minha testa.

Ela nem imagina o quanto!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A Voz que Canta do Oriente


- Novecentos dólares! – Tom quase enfartou ao abrir a conta de seu celular – Só pode estar errado!

Ele examinou atentamente aquele papel cheio de números e propaganda. Uma foto sorridente e cínica de uma atendente de telemarketing abaixo da conta dizia: ”Ligue para 555 6789, ficaremos felizes em resolver o seu problema.”

Tom era um americano que tinha namoricos com muitas mulheres, tinha uns trinta anos, um galãzão. Era um advogado muito bem-sucedido, já fizera absolver até o bandido mais cara-de-pau. Os ricos e poderosos de Los Angeles sempre requisitavam seus serviços. Anular aquela cobrança indevida seria fácil, fácil.

Pegou o telefone da mesa de seu escritório. Discou o número, morto de raiva.

Da primeira vez, o telefone chamou, chamou, chamou, chamou, e ninguém atendeu.

Da segunda, chamou, chamou, chamou, chamou, e atenderam:

- Bom dia. Lamentamos, nossas linhas estão congestionadas. Por favor, aguarde.

Aff!

Tom esperou um pouco pacientemente... depois, esperou outro pouco impacientemente. Estressou-se. Quando estava pronto para socar o fone na base, eis que surge a voz:

– Bom dia, senhor. Como posso ajudá-lo? – A raiva de Tom de súbito foi levada pela brisa da janela. Era uma voz doce e picante, maternal e sedutora, delicada e selvagem. Com um levíssimo sotaque indiano que escapou sem querer. Era uma sereia cantando do outro lado do mundo. Tom sentia a endorfina injetar-se em seu sangue, acalmando todas as suas células nervosas com o canto da anja que lhe falava do outro lado da linha.

– Hã... – Tom balbuciou feito um deficiente mental enquanto a voz da atendente ainda ecoava em seu cérebro. Nem passara o efeito da endorfina, secretou-se agora a adrenalina, que sempre vem avisar da paixão, fazendo o coração bater rápido e descompassado.

– Alô?

– É... é... é... não é nada. É só uma conta que chegou com valor errado. Não tem problema não. – Uma bela mulher faz qualquer homem de idiota, ainda que bela seja só sua voz.

– Qual é o seu nome, senhor?

– Tho... Thomas Smith Peterson.

– E o número no seu celular?

Tom foi gaguejando todos os seus dados pessoais, sem nem se dar conta, extasiado pelo cantar da indiana.

– Pronto, senhor Peterson. A sua conta é de cento e três dólares e quarenta e um centavos. A segunda via corrigida chega em até três dias úteis, sem custos adicionais. – Tudo é tão fácil quando a gente não está nem aí. – Tenha um bom dia.

Tom, desesperado pela possibilidade de nunca mais ouvir o canto pela qual se apaixonara, deu logo um grito:

– Espera! Você... você não quer sair comigo uma noite dessas?

– Senhor Peterson, eu moro em Mumbai! Do outro lado do mundo! – Esse era um ínfimo detalhe que Tom havia esquecido.

– Mas... mas pelo menos me diga o seu nome?

– Latika, Latika Malik.

– E o meu é Tom, Tom Peterson, de Los Angeles.

– Tenha um bom dia. – Tom a ouviu beijando a ponta do microfone. Por algum motivo, Latika sentia por Tom algo parecido com o que ele sentia por ela. E ele percebeu isso.

– Você também – Ele colocou lenta e tristonhamente o fone na base. Pegou de novo a conta equivocada de seu celular.

Passou o dia inteiro imprestável olhando a foto da atendente de telemarketing sorridente e simpática que ele injustamente supôs cínica. Agora ele olhava a morena de cabelos lisos de cipó e olhos negros de tigre com bons olhos e se questionava se Latika era tão bonita quanto a moça da foto.

Esse era uma pergunta que ele sofria por saber que nunca descobriria a resposta. Por mais que ele ligasse de novo para lá, nunca mais seria ela, Latika, a sereia com a voz que canta do oriente quem atenderia seu chamado. É duro saber que nunca mais ouviria o som mais belo que já escutou em sua vida.

Depois de tantas horas namorando aquela foto, Tom tomou a decisão mais maluca que já tomara. Interfonou para sua secretária:

– Sandra, me arranja pra hoje à noite uma passagem pra Índia.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O Vampiro toma toddy

Segunda feira, Yvany acordou cedo, às seis horas da manhã, com um enfezamento cotidiano, mas um pouco maior, porque era segunda feira. Tomou um banho quente, por bastante tempo, até criar um nevoeiro cegante no seu pequeno banheiro. Acordou seu marido, seus filhos; comprou pão; fez café; cafeou com sua família calada, porque comiam adormecidos; escovou os dentes.

Pegou o ônibus para trabalhar, era empregada doméstica. Ser doméstica é ter duas casas, duas famílias, ao invés de uma só. Às vezes, as famílias são legais, às vezes são chatas. Suas duas se enquadravam no segundo grupo, mas as amava mesmo assim. O dobro de serviço para fazer, mas o dobro de carinho para dar e receber.

Chegou à casa dos patrões às oito e vinte. A família tinha um filho de dezessete anos chamado Lucas que, àquela hora, já devia haver ido para a escola. Fez o café para os pais resolveu começar lavando a roupa do fim de semana.

Foi até os banheiros pegar os cestos de roupa suja. Notou algo raro: havia um par de tênis no cesto do banheiro de Lucas. Algumas manchas marrons pintavam abstratamente aquele caro par de tênis esportivo. Procurou um pouco mais no cesto e achou uma calça, uma camisa e uma cueca tingidas daquele mesmo marrom castanho do tênis.

"Como que aquele moleque foi capaz de derramar toddy na roupa inteira? Até no tênis? Essa mancha vai ser superdifícil de tirar! Odeio lavar sapato! Não dá para lavar na máquina, tem que ser na mão mesmo. Esfregar, esfregar, esfregar! Tortura! Se ao menos fosse só na roupa. Moleque destrambelhado! Não consegue nem tomar um copo de leite com toddy sem se sujar inteiro! Vontade de dar nele.” Pensava ela enquanto punha as roupas na máquina.

Quando ia começar a esfregar o tênis, Yvany encarou aquelas manchas de toddy. Passou os dedos sobre elas, pareciam duras e claras demais para ser toddy. Resolveu levar o calçado até o nariz para identificar a misteriosa sujeira. Não tinha a mesma doçura naquele odor do que o que ela esperava encontrar. Não, não é toddy.

Tocou o telefone.

– Alô? Yvany? É você? – Chorava uma voz conhecida.

– Oi, dona Cláudia, o que foi que aconteceu?

– O Lucas teve um acidente de carro essa madrugada. Ele está em coma agora.